Você sabe qual é o seu propósito de vida?

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Propósito é aquilo que coloco adiante do que estou buscando. Uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço.

Em plena 2ª.feira o despertador toca e você não quer sair da cama. E isso pode indicar dois estados de ânimo: Você gostaria de dormir mais um pouquinho – sinal de cansaço depois do final de semana movimentado, você precisa de algumas horas a mais até o corpo recuperar de um esforço intenso. Se a vontade é de não sair da cama – sinal de estresse, você não enxerga mais razão para fazer o que faz. Existe diferença nos dois estados. Cansaço, você resolve descansando. Estresse, você só consegue evitar se compreender o motivo para fazer o que está fazendo. E se estiver difícil, a terapia vai te ajudar.

Afinal de contas, porque fazemos o que fazemos?

“A única coisa que você leva da vida é a vida que você leva”.  (Aparício Torelli – jornalista)

Buscamos reconhecimento, valorização pelo que fazemos, não queremos ver nossos esforços sendo desperdiçados ou inutilizados.

O conceito de propósito é o da realização, por estarmos mais focados numa sociedade individualista. A realização está pautada mais no sentido de tornar real, do que ser capaz.

O trabalho precisa fazer sentido, porque faço o que faço. Questionamos mais nossas atividades.

O reconhecimento do trabalho é uma questão de dar sentido ao valor que tenho para alguém, alguma coisa.

Os dois são diferentes.

Hegel – tudo que faço, mas não entendo a razão, sou uma máquina, não posso ter o poder de decisão – o mundo é ideia. A cultura, obra humana, vem porque eu preciso me realizar. Preciso me ver fora de mim, mostrar-me ao mundo.

Marx – recusa a alienação, faço pela necessidade. Preciso fazer e ai eu me reconheço. Preciso do meu sustento, preciso me elaborar, me desenvolver.

Nós temos ações transformadoras, sabemos porque fazemos algo, muitas vezes, e outras vezes apesar de não querermos, e sabemos disso, também sabemos porque estamos fazendo.

Se buscamos a realização em nossas realidades, podemos observar que o trabalho é mais importante do que nossa vida pessoal. Temos uma ideia que se temos saúde, podemos trabalhar ou temos que trabalhar. Se estamos bem, saudáveis, pensamos em voltar a trabalhar, por algum sentido, necessidade ou realização.

Estando saudáveis, não pensamos em passear, viajar, curtir a família, dançar, namorar. Sendo assim, qual seria o propósito? Que o trabalho não nos deixa morrer.

Quando na verdade você só saberá quando estiver na cama e o despertador tocar na 2ª.feira, e você se perguntar. Porque faço o que faço?

Afinal, somos pessoas que tem necessidades e carências. Ou construímos nosso mundo, ou não tem como existir. E o ser humano quer construir um legado, que saber que quando não estiver mais aqui, será lembrado.

Segundo Marx, necessidade: é quando eu não posso deixar de fazer o que faço, senão vou a falência. Liberdade, a vida é uma escolha. Ser livre de restrições. Ser livre para outras escolhas.

Você tem consciência do que produz, ou está fazendo algo automaticamente?

Você perde inovação, criatividade, quando virá um robô, uma máquina, porque você vive num processo de alienação, é perda de si mesmo, da sua essência.

Porque você odeia a 2ª.feira? Porque você não está se encontrando naquilo que faz? Precisa rever os seus propósitos. Ganhar mais, trabalhar menos, te permite estar na Europa?

Quando a rotina vira tédio, você perde motivação. Seja qualquer profissão. Quando você não vê a hora daquilo acabar é quando começa o desgaste, quando se distrair ficou automático. A monotonia é o principal adversário da motivação.

Em pleno século XXI, o conhecimento é muito importante para a inovação, criação, para que o indivíduo não se sinta alguém que apenas ganha seu sustento, mas que colabora, realiza e tem uma vida com propósito.

Se descole da alienação daquilo que é ausência de pertencimento. Seja autor da própria obra.

“Não me reconheço naquilo que faço.” – Não é minha obra. Ser autor da própria obra é necessário para se construir como indivíduo que não é descartável, que não é inútil.

Uma vida com propósito é aquela em que sou autor da minha própria vida. Eu faço a minha obra. O propósito está em não ser alienado.

“Todo pintor pinta a si mesmo.” Michelangelo.

Deixar de fazê-lo agora seria me desfazer. O trabalho nos molda.

“Motivação é uma porta que só abre pelo lado de dentro”, não confunda com estímulo.

Aquilo que deseja, que realiza, que te completa, que permite que você se reconheça.

 “ Eu me reconheço naquilo que faço.” Fazer com excelência, é ultrapassar expectativas, é ir além. Quem tem um motivo que o impulsione, consegue atingir a excelência.

A principal causa da desmotivação, é a ausência de reconhecimento.

Faço o que faço, porque a minha obra, o meu legado, aquilo que realizo me torna alguém que não é fútil, descartável. Isso me dá satisfação, orgulho.

O caminho não é marcado apenas por coisas prazerosas. Para as coisas acontecerem, é preciso esforço. A ideia de consciência sobre os propósitos está ligada à noção de valores. Quais são os seus valores?

O campo ético é decisivo porque lida com os valores que me permitem ter uma conduta na vida.

“De nada adianta um homem ganhar o mundo se ele perder a sua alma.” Evangelho de Marcos.

Quando se perde a credibilidade, o propósito desaba.

Heidegger explica que você perder sua alma, te gera angústia – Angústia, sensação do oco, sensação do nada, sensação do vazio.

O que você deixou de fazer e deveria ter feito? O que você escolheu porque era mais cômodo? As escolhas terão seu custo. É preciso desenvolver uma capacidade de auto-revisão e reflexão a respeito delas, uma prioridade.

(Futuro e Pretérito)

“Um dia, quando tiver tempo, vou fazer aquilo de que gosto.” “Assim que tiver melhores condições, vou me dedicar ao meu sonho.” “O meu plano, quando me aposentar, é finalmente fazer aquilo que me dá prazer.” Conexão entre O paraíso perdido e Em busca do tempo perdido. A sensação de que um dia nós vamos voltar a uma situação que desejamos. A procrastinação contínua é um distúrbio, é ter medo de realizar aquilo.

A ideia de expectativa, acalma quem teme a realização. Porque depois, qual seria o próximo passo? Viva o que pode ser vivido agora. Não faz sentido esperar.

A coisa mais gostosa da vida é o encanto, ter um trabalho encantador. Quando alguém perde esse encanto, o da vitalidade, começa a desistir.

“Ou afunda ou nada”. Shakespeare.

 “É preciso aprender a aprender.” John Dewey

3 Caminhos para o fracasso:

– Não ensinar o que se sabe;

– Não praticar o que se ensina;

– Não perguntar o que se ignora.

“Só sei que nada sei.” Sócrates.

– Ou seja, Só sei que nada sei por inteiro, Só sei que nada sei que só eu sabia, Só sei que nada sei que não possa ainda vir a saber.

Horizontes não são obstáculos e sim fronteiras. Paciência na turbulência e sabedoria na travessia. Fazer bem nos faz bem.

Esse texto tem o objetivo de trazer uma reflexão ao seu propósito de vida. Pare uns minutos, respire profundamente, tome um gole de água ou saboreie um cafezinho, ouça um mantra de calma, feche os olhos, relaxe os ombros, passeie por suas memórias, lembre-se do que fez e como fez para você chegar aonde está, porque e pra quê!?

Espero que suas lembranças sejam as melhores e que seus olhos brilhem, seu coração bata mais forte e você tenha mais energia para continuar com seu propósito.

Fonte: Mário Sérgio Cortella

Postado por: Dra. Ana Cláudia Foelkel Simões

Psicóloga Clínica – (11) 97273-3448

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